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sexta-feira, 3 de abril de 2015

José Rosa Dias Nunes


(José Rosa Dias Nunes,São Brás de Alportel, 13/4/22-31/12/2012)
Médio

40/41-Farense------------reservas
41/42-Farense------------II
42/43-Farense------------II
43/44-Estremoz F.C.------II
44/45-Farense------------II
45/46-Farense------------II
46/47-Desportivo Faro----II
47/48-Desportivo Faro----III
48/49-Portimonense-------II
49/50-Portimonense-------II
50/51-inactivo
51/52-Farense------------II


O antigo Árbitro internacional algarvio José Rosa Nunes também foi jogador de futebol.
Jogador alto e corpulento, Nunes jogava a médio centro e fez parte das equipas do Farense dos anos 40,tendo jogado igualmente no período em que o clube se denominou Clube Desportivo de Faro.
Depois de 2 temporadas no Portimonense, num período em que o clube de Portimão lutava fortemente para subir à 1ª Divisão, José Rosa Nunes volta a Faro para terminar a carreira de futebolista e iniciar o seu percurso na arbitragem.



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Memórias: Benje, o melhor guarda redes do mundo

 
 
Memórias: Benje, o melhor guarda redes do mundo
 
Quando a bola estava longe, a sua presença lembrava mais a de um velho sábio africano, cansado das duras batalhas. Quando a bola ou os adversários invadiam, por alto ou pela terra, a sua área, ai ele virava pantera ou gato negro, felino, com uns reflexos espantosos, voando para as chamadas defesas impossíveis. Jogou entre os anos 60 e 70 (Farense, Varzim, Leixões...) e era... o melhor guarda redes do mundo!.
 
Na baliza, quando a bola estava longe e dava uns passos no meio da grande área, a sua presença lembrava mais a de um velho sábio africano, cansado das duras batalhas que travara no passado, do que a de um felino voador.
 
Não sei se esta imagem balzaquiana me ocupa a mente devido a só o ter visto, com olhos de ver, já na fase terminal da sua carreira, as ultimas quatro-cinco épocas, mas a verdade é que, logo por cima dessa imagem, se sobrepõe outra, muito mais forte, que emerge quando recordo a sua reacção quando a bola surgia na sua área, por alto ou com avançados isolados ávidos por o fuzilar.
 
Aí, o gigante Benje, virava gato negro, felino, voador, com uns reflexos espantosos, executando, com eficácia e beleza estonteante, as chamadas defesas impossíveis. Por ser negro, algo ainda hoje pouco comum, nos guarda redes que jogam na Europa, todo aquele aparato tinha ainda uma maior dose de magia feiticeira, como se fosse dono de qualquer segredo africano. Mesclava o inestético com o espectacular e criava um estilo único e deslumbrante. Como fez quase todas a sua carreira por clubes ditos pequenos (Varzim, Farense, Leixões...) daqueles que jogam para não descer de divisão, num tempo em que as diferenças entre as equipas em Portugal era gigantesca, as suas sucessivas grandes exibições adquiriam contornos verdadeiramente épicos.
 
Entre elas, recordo uma que assisti ao vivo, no repleto Estádio do Mar, numa tarde com o sol a pino, em Matosinhos, num Leixões-FC Porto, por volta de 1976, que tentei seguir, avidamente, procurando ver por entre a multidão, toda de pé, que seguia hipnotizada o jogo. As imagens que retenho desse hoje estão-me gravadas na memória e (curiosamente, não sei porquê, para além de uma série de cruzamentos para trás da baliza, de um careca lateral portista chamado Taí que, nesse gesto técnico falhado tanto irritava os adeptos azuis e brancos) todas elas estão relacionadas com as espectaculares defesas em voo de Benje. E como ele voava, naquele seu tradicional equipamento cinzento.
 
O jogo terminaria com uma grande vitória do Leixões por 0-0. É verdade, leu bem, não me enganei, o resultado final foi mesmo esse e nessa altura empatar com um grande era como uma vitória para essas pequenas equipas, sobretudo na rivalidade que opunha Leixões e FC Porto..
 
Benje pertence, indubitavelmente, ao universo mágico do futebol português, num tempo em que o império ia do Minho até Timor, ele era, vindo de Angola, como um símbolo desses enorme legado ultramarino que tantas glórias e grandes jogadores, brincas na areia, engraçados e fenómenos, deu ao nosso futebol.
 

A última vez que ouvi falar dele foi, salvo erro, em 2001. Era então funcionário fiscal da Câmara Municipal de Faro, onde se radicara finda a carreira. A beleza do seu estilo pode ser, em parte, apreciada na foto que encabeça este artigo, datada de 1973, num jogo contra o Benfica no velho Estádio da Luz, quando, defendendo as redes do Farense, voou, destemido, para roubar a bola dos pés do ponta de lança do Benfica chamado... Artur Jorge.
 
O homem que melhor definiu a categoria de Benje foi, no entanto, um famoso e precursor treinador que marcou uma época no nosso futebol, pelo sua juventude irreverente, discurso diferente, caustico e que, ainda hoje, estaria muito á frente da maioria dos treinadores que ocupam os bancos da Super Liga.
 
Era Joaquim Meirim e a história sucedeu quando treinava o Varzim, no inicio dos anos 70, e o guarda redes suplente (confesso que não me lembro o nome) andava sempre muito chateado porque nunca jogava. Nem um minuto sequer.
 
Foi então que Meirim, para o moralizar lhe disse para estar tranquilo, que a sua hora iria chegar, pois ele era...o melhor guarda redes da Europa.
 
O “keeper” suplente abriu os olhos de espanto. Se era assim, então porque não estava a jogar?
 
Simples: porque o titular, Benje, era o melhor guarda redes do... mundo!
 
Palavra de mestre Meirim.
 
Texto escrito em 11 de Novembro de 2004, por Luís Freitas Lobo em Planeta do Futebol  http://www.planetadofutebol.com/artigos/memorias-benje-o-melhor-guarda-redes-do-mundo
 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Casa Chaby

 
 
Casa Chaby
 
Aqui neste edifício e ocupando toda a parte estabelecimento que se vê no rés do chão (rua da Trindade e Rua da PSP) foi a casa de artigos desportivos Chaby, conhecido entusiasta e apoiante do Sporting Clube Farense, ombreando no «amor à camisola» e na popularidade entre os adeptos com o Barão da Autosil, ainda que em escala diferente.
 
Era um tempo em que o Futebol Farense se vivia por toda a cidade e era vivido por toda a cidade, facto que o «destino» se foi encarregando de fazer decrescer, também porque o volume da população ligada a Faro por nascimento ou afinidade era proporcionalmente maior do que é hoje para além de terem aparecido também outros clubes por via da mediatização.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Os Carvoeiros de Lisboa

Os Carvoeiros de Lisboa
Eu praticamente nasci ao lado de carvoarias aqui em Faro, não propriamente aquecido pelo calor das brasas, mas tinha um vizinho que era carvoeiro e que morava duas ou três portas ao lado da minha e que por sua vez tinha um armazém de carvão no Beco Ataíde de Oliveira, o senhor Faneca, onde eu ia comprar o carvão que fazia falta lá em casa e não era só em alturas específicas de churrascadas e coisas assim.
Tínhamos um forno na casa onde morávamos na altura e a minha mãe, montanheira de raiz, cozia muitas vezes o nosso próprio pão e por ausência de lenha usava carvão.
Para além disso havia os fogões a petróleo antes do gás se vulgarizar e o dito era também comprado maioritariamente na carvoaria. A mercearia da esquina também tinha petróleo à venda, num bidon encimado por aquelas bombas manuais, iguais àquelas que mediam o azeite, mas dava mais jeito comprar o carvão e o petróleo no mesmo sítio.
Bem, antes de avançar para Lisboa, é preciso fazer notar uma coisa que normalmente é pouco difundida: algumas pessoas, sobretudo relacionadas com a venda de material energético ou com ele relacionado ou com uma incorporação grande de energia no seu fabrico, viram os seus stocks valorizarem-se exponencialmente durante o período da 2ª guerra mundial e, em parte por via disso, penso, o senhor Faneca era considerado pelo menos remediado.
Tinha casa própria, o que era uma raridade naqueles tempos mas continuava com o seu carro de mula a vender carvão de porta em porta. O carvão tem pó, como se entende, e o pó é preto como se deve saber ou calcular, pelo que o senhor Faneca quando regressava a casa depois de um dia de vendas e negócios, todo enfarruscado, entrava pela porta do quintal, despiria logicamente a roupa de trabalho, lavava-se e só depois entrava em casa. Eu não assistia a essas operações, como será claro, mas passado algum tempo do seu regresso a casa ele aparecia ou à janela ou à porta da frente impecavelmente trajado o que fazia adivinhar o seu percurso anterior.
Nesse beco que falei atrás era o seu armazém, uma casarão enorme, com o carvão «arrumado» em monte para aí com três ou quatro metros de altura e uma base de pelo menos cem metros quadrados. Era onde uma senhora estava encarregada de tomar conta da loja e vender o carvão durante o dia. Aí só havia carvão e petróleo.
Por outras razões, compra de material de construção nomeadamente telhas e tijolos avulso, frequentava amiúde duas carvoarias que havia na Rua Cruz das Mestras, onde se comprava também gesso, cal viva, cimento, etc. Assim, carvoarias em Faro, na minha memória e posso falhar, tinham como função alternativa a venda de material de construção (cheguei a comprar também azulejos lá, daqueles brancos, para casas de banho como era uso na altura).
Ora quando fui fazer um «estágio» de alguns anos a Lisboa fui viver ma zona da Alcântara, mas parece-me que este fenómeno que vou relatar mais à frente é comum em toda aquela zona (vi - por alto - até Oeiras, acrescento).
O meu tio, já falecido, excelente homem e que gostava muito de mim, entendia que me devia ensinar a ser «homem». Ele era do Norte, não que isso seja uma qualquer marca distintiva, mas a confraternização, para ele, só episodicamente passava pela bica e pelo galão: o copo de vinho, salutarmente doseado, era o pretexto para dois dedos de conversa e como ele ele era fanático pelo Atlético (que ainda jogou contra o Farense na 2ª Divisão) e como aquele pessoal por ali andava quase todo pela mesma onda, eram horas de bate papo aos fins de semana com um ou dois copos de vinho, esclareço. Não me lembro de se ter passado disso...
Ora, onde é que nós (sim, eu também!) íamos beber os copos tertulianos? No Carvoeiro. Pois era isso, o que para alguns pode parecer normal, para mim, formado na escola da carvoaria complementada com materiais de construção, foi estranho.
Claro que os Carvoeiros tinham os sectores divididos: num lado carvão, noutro lado barricas de vinho. Mas ali não se ia à taberna (talvez fosse pejorativo, não sei), ia-se ao carvoeiro. Balcão de cimento e azulejo de tampo e cobertura e era assim.
Podia terminar aqui porque a história estaria contada, mas na pesquisa que fiz verifiquei que existem muitos restaurantes em Lisboa e arredores que têm o nome de Carvoeiro e não encontrei um só aqui no Algarve.