Mostrar mensagens com a etiqueta Faro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Faro. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 3 de abril de 2015

José Rosa Dias Nunes


(José Rosa Dias Nunes,São Brás de Alportel, 13/4/22-31/12/2012)
Médio

40/41-Farense------------reservas
41/42-Farense------------II
42/43-Farense------------II
43/44-Estremoz F.C.------II
44/45-Farense------------II
45/46-Farense------------II
46/47-Desportivo Faro----II
47/48-Desportivo Faro----III
48/49-Portimonense-------II
49/50-Portimonense-------II
50/51-inactivo
51/52-Farense------------II


O antigo Árbitro internacional algarvio José Rosa Nunes também foi jogador de futebol.
Jogador alto e corpulento, Nunes jogava a médio centro e fez parte das equipas do Farense dos anos 40,tendo jogado igualmente no período em que o clube se denominou Clube Desportivo de Faro.
Depois de 2 temporadas no Portimonense, num período em que o clube de Portimão lutava fortemente para subir à 1ª Divisão, José Rosa Nunes volta a Faro para terminar a carreira de futebolista e iniciar o seu percurso na arbitragem.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

A mula e o avião

A mula e o avião

Aqui há uns anos...muitos, trabalhando eu num Hotel no Algarve, o proprietário do mesmo achou por bem mandar fazer um postal ilustrado para oferecer aos turistas que o frequentavam, durante a estadia e quando da sua partida.

A ideia até era boa e inovadora. Na altura não havia muitas iniciativas de propaganda e a movida nos números dos hóspedes, sobretudo em época baixa, dependiam em grande escala dos contactos feitos com Agências de Viagens, normalmente de Lisboa.

O postal - estava disponível gratuitamente na portaria e normalmente davam-se vários à partida dos hospedes - tinha lá todas as referências ao estabelecimento que o tinha emitido e em tempo de pouca facilidade em ter fotografias diversas em postal, os turistas usavam-nos bastante.



Bem...a relação com esta foto está no seguinte: pediu-se a um arquitecto que desse uma ideia sobre o que deveria constar no postal porque as ideias eram muitas: desde mostrar o restaurante, meter cortados alguns quartos e salas - de reuniões e de estar- enfim, houve mesmo que desempatar porque o comum do pensamento dos mortais locais levaria à publicação de micro imagens às quais ninguém ligaria.

E foi peremptório, o arquitecto: tragam-me um carro de mula pintado de fresco, com um animal ajaezado respirando saúde e cheio de guizos e fotografa-mo-lo com a fachada do hotel em fundo, e é assim mesmo! E assim foi...

Agora os tempos mudaram e é rara a foto de Faro que não leva um avião sobrevoando ao fundo. Pudera... não só os tempos mudaram como o tal arquitecto já faleceu...




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Casa de José Maria Assis - Faro

Casa de José Maria Assis - Faro



Localiza-se na Vila-Adentro, na Rua Rasquinho, antiga Rua dos Cónegos.

Pertenceu, nos finais do século XIX, a José Maria Assis, colaborador e assistente do Dr. Justino Cúmano, na descoberta e aplicação da medicação anti-siflítica.

Um busto daquele insigne médico, hoje depositado no Museu Arqueológico Infante D. Henrique de Faro, esteve colocado no jardim desta casa.



Uma importante campanha de obras foi realizada no século XIX, tendo a fachada sido totalmente reformulada.

Edifício de dois pisos com beirado saliente e um imponente telhado de quatro águas. O eixo é marcado por um portal de cornija saliente e o andar nobre é constituído por seis janelas de peitoril.

A Jardim apresenta um portão monumental rematado por duas figuras de barro, registando-se no intradorso do arco a data de 1881.



Recentemente, procedeu-se à recuperação da casa e do jardim envolvente.

In Faro Edificações Notáveis - Câmara Municipal de Faro (1997)



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Casa do Dr. Passos Valente

 
 
Casa do Dr. Passos Valente
 
Esta é a casa do falecido Advogado farense Dr. Passos Valente, que teve escritório na Rua que vai ter ao Largo das Mouras Velhas, do lado do Teatro Lethes, em frente à entrada do campo de futebol de salão, depois parque de ambulâncias e agora não sei.
 
O rés do chão desta casa parece-me que esteve (ou está) ocupado por uma escola de línguas depois do seu falecimento.
 
É um imóvel «incerto», pelo menos, em termos de arquitectura, na minha opinião: denoto, sem ser especialista, alguma mistura de estilos que pretende ser harmoniosa e que com um pouco de esforço da parte do observador pode sê-lo.
 
Não sei qual será o seu futuro e isso será uma incógnita que só o tempo esclarecerá.
 
Fica no cruzamento da Rua Almeida Garrett com a Rua Dr. Justino Cúmano.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jornal «O Algarve»

 
 
Jornal «O Algarve»
 
Aqui foi a sede do Jornal O Algarve desde a sua fundação até aos anos 80 do Sec. XX mais ou menos.
 
Depois deslocou-se para um edifício na Rua José de Matos, no topo, junto à parte superior da Escola Industrial e Comercial de Faro, tendo também a parte Tipografia (ao que penso) na Zona Industrial do Bom João (de Baixo) não sei se em simultâneo se não.
 
Segundo os números de 1930 do Jornal O Algarve este tinha tipografia própria, mas não me lembro de a ter visto na Rua do Alportel. O que conheci lá foi o balcão de atendimento para anúncios e pouco mais.
 
De qualquer forma o que interessa mais é que este Jornal é um marco na cidade de Faro e é dos poucos jornais algarvios que conheço que está a ser digitalizado pelos Serviço de Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, embora a meu ver muitos outros jornais paradigmáticos algarvios o merecessem também.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Escola a salto

 
 
Escola a salto
 
Aqui neste cantinho, entre o Posto de Electricidade que tem aquela casinha engraçada, e o poste ao seu lado direito, havia um pequeno muro, no alinhamento com o muro da Escola (aqui tapado pelos contentores) que completava o apoio ao salto para dentro e para fora da Escola Industrial e Comercial de Faro, facilitabndo nalguns metros o percurso para quem morava deste lado de cá (José de Matos, Antero de Quental e por aí acima) e incluindo aqueles que se deslocavam do ou para o apeadeiro do Bom João.
 
Aqui eram as traseiras das Oficinas e a operação não era muito dificultada pelos Contínuos.
 
Não me lembro de algum deles ter sido «aterrorizante» e todos eram respeitados.

sábado, 13 de abril de 2013

Casa Bancária Manuel Dias Sancho

 
 
Casa Bancária Manuel Dias Sancho
 
Já se falou aqui e no nosso site no Facebook da Casa Bancária Manuel Dias Sancho, que terá falido e dado lugar à constituição do Banco do Algarve. Aqui abaixo está uma convocatória sobre a questão em que se pode reparar sobretudo na existência de um Administrador por parte do Estado, o que confirma de alguma forma a recuperação por via oficial da Casa Bancária Manuel Dias Sancho.
 
Agora não me parece que tenha sido dada notícia da localização da referida Casa Bancária, sendo certo que me parece que o Banco do Algarve teve o seu início onde foi depois o Banco Português do Atlântico, à esquina da Rua de Stº António com a Rua Ivens, deitando para a Rua Ivens e para o lado da actual Casa da Sorte.
 
Contudo em 1959, segundo notícia do Jornal O Algarve reformou instalações na esquina da frente, mesmo cruzamento de ruas, mas do lado do Café Aliança e Café Atlântico.
(Ver aqui na Defesa de Faro:
 
Ora o que colocaria dúvidas seria saber onde era a Antiga Casa Manuel Dias Sancho e nesta procissão (parte cauda já com os estudantes a desfilar) vê-se que esta Casa Bancária foi sensivelmente onde foi a Papelaria Silva, mais metro menos metro.
 
De reparar no entanto que este modelo de fachada foi destruído e que actualmente não vejo traços dela na Rua de Stº António.

Caixa de Fósforos

 
 
Caixa de Fósforos
 
Este prédio enorme que se vê do lado esquerdo, com um sugestivo anúncio na fachada lateral, já foi objecto de algumas considerações no Facebook porque, segundo uma foto do João Borges, em 1969 já estava erguido.
 
Acontece que este prédio que teve como únicas limitações na altura o facto de haver o Aeroporto e por em teoria não se poderem ultrapassar os 14 andares em toda a cidade e arredores, foi um verdadeiro drama urbano precisamente porque não estava inserido naquilo a que se chama «malha urbana».
 
Hoje quem vê o que se está feito fica a saber que ele praticamente está dentro da cidade, mas na altura da sua construção não havia nada construído a seguir ao Estabelecimento Prisional de Faro de um lado e Senhora da Saúde mais acima.
 
Foi conhecido por «caixa de fósfóros» porque sem acabamentos era isso que parecia, com os «buracos» das janelas expostas e não era mesmo nada bonito. O problema é que por coisas que eu não sei não havia nem canalizações de água nem de esgotos que pudessem lá chegar e que isso não foi tido em consideração.
 
Ou terá sido prometido pelos respectivos serviços e não foi efectuado, o que duvido, nesta última hipótese dado que aquele troço de esgoto e água custa um pequeno balúrdio.
 
Tudo o que havia a seguir a este prédio e mesmo antes, em direcção à Praia de Faro / Loulé / Portimão era servido por furos próprios e por fossas sétpicas e outros com esgoto directo para aquela parte da Ria Formosa o que acontecia também.
 
Pelas minhas contas esteve cerca de 15 anos a «secar» até que foi acabado reunidas que foram as devidas condições e lá está...um dos poucos prédios que devem existir no mundo com uma tal «décalage» entre construção e habitação.
 
De notar ainda que alguns andares chegaram a ser vendidos a particulares mas sobre isso nem vale a pena falar muito.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Campo dos Marinheiros

 
 
Campo dos Marinheiros
 
Aqui onde se vê este carro e em todo o espaço que é actualmente ocupado pelas Bombas de Gasolina, até à Rua de Berlim e actual Rua General Humberto Delgado (antes do 25 de Abril acho que era Oliveira Salazar ou coisa parecida) e casa do Poeta de um lado e sem Papa Burguer, com a Estrada de Olhão em baixo era o famoso Campo dos Marinheiros onde talvez 80º da juventude da zona rompeu sapatos a jogar à bola.
 
Ao fundo, do lado esquerdo, e dentro da cerca, pode ver-se a casa do Comandante do Posto dos Marinheiros, que na altura tinha ali um posto de recepção de rádio, daqueles tipo radar e uma antena no meio do campo da cerca que tinha muitos pinheiros.
 
A cerca era murada com rede, nalgumas partes, mas podia-se saltar o muro para ir buscar a bola nalguns sitios quando ela para lá acabava por ir. Só uma vez um Oficial maçarico se armou em esperto e queria ficar com a bola.
 
Os Fava, um deles que foi relojoeiro na Baixa de Faro estava na Horta da Areia aqui há anos a tomar conta do campo, moravam na Casa do Poeta (a mãe deles era contínua lá) e o outro, penso que o mais novo, era o Guarda Redes dos Marinheiros e era apelidado de Costa Pereira e por aquilo que se via de fora ele era mesmo bom. Morreu aqui há anos.

Café Scala - Faro e Delegação do Diário de Notícias

 
 
Café Scala - Faro e Delegação do Diário de Notícias
 
Aqui fica o Café Scala, bastante conhecido desde há vários anos, no cruzamento com a Rua Bocage, Rua Brites de Almeida e o Largo que fica para trás nesta foto.
 
Foi ali aberto tendo em conta não só as instalações mas também devido ao facto de o Centro Médico (Centro de Saúde) ser então num edifício na Rua Brites de Almeida e levar ali muita gente.
 
O Centro de Saúde mudou de localização mais que uma vez; esteve na Rua Jornal o Algarve, por exemplo e agora tem edifício próprio sito perto da Escola José Neves Júnior no Alto Rodes, mas o volume de clientela do Café parece não ter descido, tendo inclusivamente nascido pelo menos mais um Café próximo.
 
A Delegação do Diário de Notícias foi antes no Edifício do Dr. Brito da Mana (assim é conhecido) no Largo do Pé da Cruz e aparece num segundo andar que tanto pode ter sido da ARS como do Ministério do Emprego que também naquele edifício teve uma Delegação.
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Café Antão - Faro

 
 
Café Antão - Faro

À esquina em frente, o primeiro e o segundo toldo a contar da esquerda, são do Café Antão, propriedade durante tempo dos pais do Dr. Rui Antão, Ortopedista em Faro, recentemente falecido.

Grande Farense, tanto clubisticamente como no trato, era também elemento preponderante do Moto Clube de Faro.

Este café, tanto pela sua história como por aquilo que é hoje, é um dos cafés mais frequentados da cidade de Faro, por pessoas de todas as escalas sociais, tendo no seu interior mesas de bilhar e snooker que são um dos ancestrais atractivos dos amadores destas «artes».

E tem uma bica bem tirada...

Associação de Atletismo do Algarve - Rua Bocage - Faro

 
 
Associação de Atletismo do Algarve - Rua Bocage - Faro

Ou Associação ou Federação de Atletismo, o que interessa aqui é que este edifício se tem mantido desde há alguns anos (bastantes) em relativas boas condições, pelo menos na aparência e é um semi-palacete cuja origem remota eu terei de procurar um dia.

Aqui funcionou há muitos anos (60/70) um Gabinete de Desenho do Arquitecto Hermínio de Oliveira.

Café Paris - Faro

 
 
Café Paris - Faro
 
Em frente, na esquina da Teixeira Guedes com a Rua Extrema (Luís de Camões) foi o Café Paris, um sitio emblemático para alguns, embora nunca tenha atingido um estatuto muito elevado dentro da cidade.
 
Tinha um reclame luminoso com a Torre Eiffel subindo ao longo da parte superior da fachada, um salão de bilhares e não só, na cave e era enorme, e a parte do rés do chão era Café Pastelaria com parte restaurante (que nunca teve muito sucesso) numa divisão com saída também para a Rua Extrema.
 
Na sua Esplanada, toda já na parte da Rua Extrema, entretinhamo-nos a jogar às «matrículas», à moeda, por vezes. O processo era apostar no par ou ímpar dos dois últimos números das matrículas dos carros que episodicamente desciam a Estrada de Olhão naquele tempo. Como só havia duas possibilidades as hipóteses de se perderem fortunas (que na altura ninguém tinha) estava fora de causa.
 
A frequência global era na sua grande parte episódica (de passagem) e resultava em grande parte da vizinhança com o Tribunal, Registo Civil, Registo Predial e Comercial, Notário...


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Café Imperial - Largo de S. Pedro - Faro

 
 
Café Imperial - Largo de S. Pedro - Faro
 
Este Café Imperial (ainda se deve denominar assim) tem uma pequena história de compreensão não muito imediata: desde o seu início (primeiros anos de 60, talvez) foi apontado como sendo uma «aventura» votada ao insucesso, e de facto nos tempos iniciais, não teve abundante clientela.
 
As razões que eram apontadas para esta potencial falência de clientela prendiam-se mais com o facto de estar um pouco fora de portas num local onde já havia outros três cafés nas proximidades com clientela feita.
 
Acontece que o sector de cafés e pastelarias posteriormente se foi deslocando aos poucos para esta zona e inclusivamente a zona dos bares nocturnos começou a pender para aqui, para este quadrante.
 
A proporção de deslocamento foi quase proporcional à transformação dos cafés na Baixa em Cafés / Bares / Croissanterias / Geladarias / Restaurantes / Pizarias, etc.
 
Foi assim como que um vento que mudou de direcção...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Antiga Junta Autónoma das Estradas

 
 
 
Antiga Junta Autónoma das Estradas
 
Como é sabido a JAE foi extinta passando a haver em troca um conjunto de Institutos e outros organismos com a organização viária relacionados, pelo que este edifício ainda se mantém na mesma tutela ou outra equivalente.
 
Aqui o que interessa é o edifício que tem já alguns anos de vida (sempre o conheci ali) e que se tem mantido, mais alteração menos alteração à entrada da Rua do Alportel. Aqui neste cruzamento havia um sinaleiro, mais abaixo da foto, que regia o trândito entre esta rua (do Alportel), a General Teófilo da Trindade e uma terceira que desce em direcção ao Largo de S. Pedro.
 
Enquanto a Estrada Nova (por Ferreiras - Albufeira e S. Bartolomeu de Messines) não foi feita era por aqui que se saía de Faro para Lisboa (por ex.) fazendo-se depois através de S. Brás de Alportel a famosa Serra do Caldeirão (que tinha 365 curvas conforme era lenda ou realidade) e depois, lá mais à frente, Almodôvar.
 
Esta cidade de Almodôvar ficou bastante prejudicada pela construção da nova estrada, que lhe retirou uma parte significativa do tráfego de passagem, uma das suas fontes de receita importantes, pelo que a lenda popular acabou por juntar imaginação com imaginação, «criando» um fantasma na Estrada Nova (IP1 agora) que alegadamente teria a sua origem em gente de Almodôvar.
 
O fantasma tal como era descrito era um indivíduo que pedia boleia em plena noite de chuvada e que que quando entrava no carro estava completamente seco. Sobre esta lenda há derivações, bastantes, referindo uma pessoa que pede boleia pelo que aconselho a leitura do credenciado site Centro de Estudos Ataíde de Oliveira.
 


quinta-feira, 28 de março de 2013

Ver e ouvir - Crónica de Daniel Teixeira

Ver e ouvir - Crónica de Daniel Teixeira
 
Eu sei que não é muito próprio estar sentado num café, ou em qualquer lugar, e ouvir a conversa que se passa entre os habitantes da mesa ao lado. Deve-se fazer ouvidos de mercador, de um mercador de silêncios, deve-se fazer de conta que não se ouve, mas ouve-se na mesma e as palavras ditas logo ali ao lado entram-nos pelo espírito dentro, sentam-se na cadeira da nossa existência e lá conquistam o seu lugar cativo.
 
Em certo sentido acabamos por fazer parte da conversa que se passa ao nosso lado, se disso não formos distraídos por outras coisas que consideramos mais importantes, emitimos interiormente aprovação ou desaprovação sobre aquilo que é narrado e criamos a nossa opinião. De meros ouvintes, consoante o teor e o interesse da conversa, passamos a ser actores nela, só que seremos sempre actores passivos. Ou pelo menos é desejável que assim seja...
 
Não se tendo passado num café o que vou contar a seguir, quero mostrar como é fácil, por vezes, passar-se de espectador a actor e em certo sentido apropriarmo-nos do próprio palco.
 
Cinema de Santo António em Faro (Já demolido)

Vem-me à memória agora um filme do Joselito «Coração de Ouro» que eu vi no defunto Cinema de Santo António, em Faro, que apresentava uma cena em que o na altura jovem Joselito vinha, já noite, após ser abandonada à sua sorte ao que me lembro, de uma travessia longa de dias de um território deserto, tropeçando com o cansaço, cheio de sede e fome e encontrou um cowboy que à volta de uma fogueira assava no espeto aquilo que parecia ser um coelho. 
 
Era pouco falador o cowboy e respondeu com um resmungo às boas noites do miúdo (acho que em termos cinematográficos ele representou um miúdo até aos vinte e tal anos) e o Coração de Ouro acabou por se sentar no chão perto dele e ficar a olhar com a pouca água que deveria ter no corpo a escorrer pela boca. Os minutos passaram-se e o cowboy não desatava nem comida nem água para o quase prostrado Joselito que de vista turvada já só via coelhos flamejantes a correr pela pradaria.
 
Demorou tempo, o cowboy estava numa de brincadeira, talvez testando a resistência do ocasional colega até que este lhe pedisse alguma coisa: água e comida (um pouco daquele coelho assado que estava logo ali, de preferência). E o Joselito, de cara esmolar mas em dizer palavra, olhava para o cantil e para o coelho que rodava no espeto, seguia milímetro a milímetro o percurso da faca do cowboy que com minúcia retirava finas fatias de carne e as levava à boca, mastigava-as, engolia, bebia um gole de água e ainda por cima fazia estalar a língua de prazer.
 
Esta comovente e sádica cena deixou o público de lágrimas nos olhos por muito tempo. Até que um habitante da plateia, não se contendo mais, se levantou e em voz bem alta, implorando e vociferando soltou um sonoro: «Dá comida ao miúdo, meu grande c...».

Claro que o drama joselitiano continuou só na tela: ninguém mais se interessou por ela; o homem, o actor do momento, o homem da hora, estava na plateia, logo ali, recebia até aplausos, embora houvesse no ar uma grande sensação de gozo.
 
Os verdadeiros actores estavam agora todos na plateia e o drama passou a comédia num ápice. E eu vi, naquela noite, aqui em Faro, em dois minutos as Origens da Comédia enquanto que Nietzsche teve de fazer um livro de razoável volume para descrever as Origens da Tragédia.
 
E o Joselito poderia ter tragicamente baqueado ali, logo nas nossas costas, à vontade do realizador que isso passou a ser indiferente.
 
Daniel Teixeira
 
Crónica

quinta-feira, 14 de março de 2013

O soldado desconhecido




O soldado desconhecido


Naquele dia o Narciso chamou-me, ia eu passando em frente à Igreja dos Capuchos, em Faro, que estava de portas abertas o que era sinal de que havia lá um defunto a ser velado. Ele estava à porta da Igreja quando me viu e disse-me para ir ali «ver aquilo» e aquilo era um defunto no caixão vestido com um pijama de hospital. 

Eu conhecia o moço, disse-me ele, mas eu não o consegui conhecer, não porque estivesse desfigurado mas porque não conhecia mesmo mas o Narciso insistiu que eu conhecia sim, que era um moço que morava para os lados do sítio do Escuro e que ajudava a Tia Adélia, a dona da taberna, a arrumar as grades das cervejas e noutros trabalhos mais pesados que ela já não podia fazer porque já era velhota, a Tia Adélia, e era viúva.

Eu praticamente nem conhecia também o Narciso, ele é que me conhecia a mim, pode parecer estranho mas é mesmo assim, ele falava-me sempre como se fossemos conhecidos de longa data e eu não me lembrava de alguma vez o ter encontrado senão num dia em que ele foi receber uma renda de uma casa ao escritório porque a gente tinha ficado encarregados de receber essa renda e naquele dia apareceu ele e não a mulher dele como era costume e ele então disse: «Então és tu que estás aqui? Vê lá que a minha mulher nunca me disse que eras tu que aqui estavas!» e ficou muito admirado disso mas eu também não conhecia a mulher dele assim como ele pensava que eu a conhecia e nem ela me conhecia assim como ele pensava que ela me conhecia. 

Só a conheci melhor depois, lá na Igreja, quando ela veio mas já vou a essa parte porque o Narciso estava revoltado com aquilo, achava que era uma vergonha e uma ofensa tratar assim um falecido, nem sequer lhe vestir uma roupa decente e deixá-lo ficar ali no caixão em pijama. Eu também achei mal e perguntei se ele tinha falado com os homens da funerária e ele disse que sim, tinha ido lá, era ali perto, mas eles nem sequer tinham ido ainda ver o falecido porque andavam a tratar da papelada para o funeral porque era o primeiro da tarde logo às duas horas.

Havia ali uma sequência de coisas que faziam com que o moço estivesse naquele traje, em pijama, num caixão, pois tinha sido uma agência de Lisboa que o trouxera porque ele tinha falecido em Lisboa e depois tinha-o entregue verbalmente aos seus colegas aqui em Faro. 

O moço tinha tido um AVC aqui em Faro mas tinha seguido de urgência para Lisboa, veio um helicóptero da Força Aérea e tudo, e levou-o mas lá também não tinham conseguido fazer nada e o moço tinha mesmo falecido. 

E eu conhecia o moço sim, ele tinha estado na Guiné, na tropa, e veio um pouco passado, foi o que o Narciso me disse, pouco tempo depois de voltar a mulher separou-se dele e agora não tinha ninguém e por isso andava naquela miséria a ajudar a velhota da taberna e a receber uns trocados da velhota e de outros amigos que tinham pena dele e que o ajudavam também com dinheiro, com roupas, com comida, enfim, o pobre do moço estava uma desgraça e ainda por cima acabou por ter um AVC que é uma coisa para gente com mais idade, foi o que o Narciso disse.

Quando chegou a mulher dele ela também ficou escandalizada por ver o moço naquelas condições e disse ao marido, ao Narciso, para ir a casa buscar um fato que ele tinha mais ou menos o corpo do falecido e que o fato mesmo que ficasse largo ao moço não fazia mal, mas que assim ele já ficava composto, foi o que ela disse. E o Narciso foi então a casa e ela ainda lhe gritou para ele trazer o fato preto, que já lhe estava apertado a ele Narciso e que assim ficava tudo bem.

Foi então que ela olhou um pouco melhor para mim e me disse que me conhecia do escritório onde ia receber aquela renda porque o inquilino tinha ficado zangado com eles porque eles não lhe tinham feito as obras na casa como ele queria e «nem podia ser» disse ela, com aquela renda que ele pagava levavam dez anos para reaver a despesa e não dava mesmo e a coisa tinha ficado assim, ele ia pagar lá ao escritório e eles iam lá buscar todos os meses e ter casas antigas alugadas é uma chatice. Depois lembrou-se do moço, que estava no caixão e disse que ia ali comprar uma flores porque naquela rua havia uma casa que vendia flores para defuntos quase ali em frente e eu que ficasse ali para o moço não estar sozinho.

Veio o Narciso primeiro, antes dela ter regressado com as flores e trazia dois primos que eu, segundo ele, também conhecia bem, que andavam com ele nos viveiros de ameijoa há muitos anos e que por isso mesmo eu conhecia-os e eles conheciam-me bem também. Eram bons moços e eram primos dele e começaram então a tratar de vestir o falecido levando o caixão para a sacristia e vestiram-lhe então o fato, com uma camisa branca e uma gravata escura e então o moço ficou mesmo bem pois deram-lhe também um jeito ao cabelo e só ficou a faltar as flores que vieram logo a seguir. 

A mulher do Narciso trazia uma coroa de flores bem grande, por isso demorara mais tempo, e dois ramos de flores, com papel prateado a fazer funil e perguntou-me se tinha vindo mais alguém ver o moço e eu disse que não, que tinha estado ali sozinho com ele e o marido, o Narciso, disse logo que a velhota da taberna não vinha porque desde que lhe falecera o marido não conseguia assistir a funerais mas que ele tinha dito para ela dizer aos amigos dele que ele estava ali e que eles vinham com certeza. 

O funeral era às duas horas e mesmo passando a hora do almoço acabámos por ir comer umas sandes a um café e quando regressámos já estavam lá os homens da funerária que começaram então a arrumar algumas coisas e a colocar os metais de fecho e transporte no caixão.

Chegaram mais dois moços, amigos do Chiquinho, foi quando eu fiquei a a saber o nome dele mas o nome dele não era bem esse, o pessoal é que lhe chamava Chiquinho mas ele era Diogo Francisco e foi o senhor da funerária que teve de dizer ao Padre quando ele chegou o nome todo dele que ele escreveu num papelinho e meteu entre as folhas do livro de orações que trazia.

Só éramos sete entre aqueles que podiam ser considerados amigos do Chiquinho contando comigo mas estava o Padre e mais quatro homens da funerária e o Padre disse então uma missa curta porque agora é ao pé da campa que se faz a encomenda da alma, como se costuma dizer, e seguimos depois atrás do carro funerário para o cemitério da Esperança e eu como não trazia carro fui no carro de um dos primos do Narciso.

Logo ali à porta do Cemitério há sempre vendedores de flores e fomos todos comprar mais flores porque o moço merecia, era bom moço e trabalhador naquilo que podia embora fosse um desgraçado conforme disse a mulher do Narciso que depois chorou muito quando baixaram o caixão e começaram a tapar a cova.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Os Carvoeiros de Lisboa

Os Carvoeiros de Lisboa
Eu praticamente nasci ao lado de carvoarias aqui em Faro, não propriamente aquecido pelo calor das brasas, mas tinha um vizinho que era carvoeiro e que morava duas ou três portas ao lado da minha e que por sua vez tinha um armazém de carvão no Beco Ataíde de Oliveira, o senhor Faneca, onde eu ia comprar o carvão que fazia falta lá em casa e não era só em alturas específicas de churrascadas e coisas assim.
Tínhamos um forno na casa onde morávamos na altura e a minha mãe, montanheira de raiz, cozia muitas vezes o nosso próprio pão e por ausência de lenha usava carvão.
Para além disso havia os fogões a petróleo antes do gás se vulgarizar e o dito era também comprado maioritariamente na carvoaria. A mercearia da esquina também tinha petróleo à venda, num bidon encimado por aquelas bombas manuais, iguais àquelas que mediam o azeite, mas dava mais jeito comprar o carvão e o petróleo no mesmo sítio.
Bem, antes de avançar para Lisboa, é preciso fazer notar uma coisa que normalmente é pouco difundida: algumas pessoas, sobretudo relacionadas com a venda de material energético ou com ele relacionado ou com uma incorporação grande de energia no seu fabrico, viram os seus stocks valorizarem-se exponencialmente durante o período da 2ª guerra mundial e, em parte por via disso, penso, o senhor Faneca era considerado pelo menos remediado.
Tinha casa própria, o que era uma raridade naqueles tempos mas continuava com o seu carro de mula a vender carvão de porta em porta. O carvão tem pó, como se entende, e o pó é preto como se deve saber ou calcular, pelo que o senhor Faneca quando regressava a casa depois de um dia de vendas e negócios, todo enfarruscado, entrava pela porta do quintal, despiria logicamente a roupa de trabalho, lavava-se e só depois entrava em casa. Eu não assistia a essas operações, como será claro, mas passado algum tempo do seu regresso a casa ele aparecia ou à janela ou à porta da frente impecavelmente trajado o que fazia adivinhar o seu percurso anterior.
Nesse beco que falei atrás era o seu armazém, uma casarão enorme, com o carvão «arrumado» em monte para aí com três ou quatro metros de altura e uma base de pelo menos cem metros quadrados. Era onde uma senhora estava encarregada de tomar conta da loja e vender o carvão durante o dia. Aí só havia carvão e petróleo.
Por outras razões, compra de material de construção nomeadamente telhas e tijolos avulso, frequentava amiúde duas carvoarias que havia na Rua Cruz das Mestras, onde se comprava também gesso, cal viva, cimento, etc. Assim, carvoarias em Faro, na minha memória e posso falhar, tinham como função alternativa a venda de material de construção (cheguei a comprar também azulejos lá, daqueles brancos, para casas de banho como era uso na altura).
Ora quando fui fazer um «estágio» de alguns anos a Lisboa fui viver ma zona da Alcântara, mas parece-me que este fenómeno que vou relatar mais à frente é comum em toda aquela zona (vi - por alto - até Oeiras, acrescento).
O meu tio, já falecido, excelente homem e que gostava muito de mim, entendia que me devia ensinar a ser «homem». Ele era do Norte, não que isso seja uma qualquer marca distintiva, mas a confraternização, para ele, só episodicamente passava pela bica e pelo galão: o copo de vinho, salutarmente doseado, era o pretexto para dois dedos de conversa e como ele ele era fanático pelo Atlético (que ainda jogou contra o Farense na 2ª Divisão) e como aquele pessoal por ali andava quase todo pela mesma onda, eram horas de bate papo aos fins de semana com um ou dois copos de vinho, esclareço. Não me lembro de se ter passado disso...
Ora, onde é que nós (sim, eu também!) íamos beber os copos tertulianos? No Carvoeiro. Pois era isso, o que para alguns pode parecer normal, para mim, formado na escola da carvoaria complementada com materiais de construção, foi estranho.
Claro que os Carvoeiros tinham os sectores divididos: num lado carvão, noutro lado barricas de vinho. Mas ali não se ia à taberna (talvez fosse pejorativo, não sei), ia-se ao carvoeiro. Balcão de cimento e azulejo de tampo e cobertura e era assim.
Podia terminar aqui porque a história estaria contada, mas na pesquisa que fiz verifiquei que existem muitos restaurantes em Lisboa e arredores que têm o nome de Carvoeiro e não encontrei um só aqui no Algarve.

sábado, 2 de março de 2013

O «meu» Espaldão ou Carreira de tiro em Faro

O «meu» Espaldão ou Carreira de tiro em Faro
Começando pelo princípio e porque o nome não é do conhecimento comum vai aqui uma ajuda da wikipédia:
«Em arquitetura militar, um espaldão é um anteparo de uma trincheira ou fortificação, servindo para proteger a artilharia e a guarnição que lá se encontra. Um espaldão pode ser feito de alvenaria, terra, sacos de areia, betão ou outros materiais. Também são utilizados espaldões nas carreiras de tiro, com intuito de evitar que balas perdidas saiam para o seu exterior.»
Isto da cultura é uma coisa interessante. Aqui em Faro sempre se denominou de «espaldão» todo o conjunto de terreno que abrigava a carreira de tiro onde o regimento de Faro fazia os seus exercícios de tiro.
Pois pelo que se lê acima, um «espaldão» é exclusivamente a barreira «que evita que as balas perdidas saiam para o exterior», ou seja, e vendo a foto (pode-se carregar para ver tamanho maior), o «espaldão» de Faro está situado na parte inferior esquerda e é um simples (mas enorme) monte de areia que tinha por função sofrer o impacto das balas e permitir que elas por ali ficassem.
A carreira de tiro, propriamente dita é que deve ter a denominação que é dada a todo o espaço, incluindo o tal espaldão, as fossas para os colocadores de alvos que se vêm nitidamente no enfiamento directo paralelas entre si e perpendiculares ao espaldão , e as barreiras/suporte de arma de atiradores, que conforme se pode ver estão distanciadas perpendicularmente  às fossas dos alvos com distanciamentos entre si para tiro a 50 metros, 100 metros, etc. tal como fosse da praxe na altura.
Pois bem, as fossas dos alvos permitiam que os soldados que os colocavam se deslocassem para uma posição ou outra (mais distante ou menos distante) após cada sessão de execução de tiro. Era nessas fossas que o pessoal miúdo da altura brincava (fora dos períodos de tiro, como será claro).
Antes de falar num episódio interessante que teve lugar devido à existência destas fossas laterais ao espaldão, gostaria de acrescentar que os cartuchos dos disparos eram por princípio recolhidos pelos próprios atiradores para voltarem ao quartel e serem então enviadas para a fábrica de material de guerra para recarregamento.
Lembro-me bem da ordem que era dada «Aos alvos!», altura em que o pessoal arrancava da sua posição para recolher os cartuchos e isto depois de ser assegurado que não estava mais ninguém em posição de tiro: não era preciso estar a disparar (o que acabava com um «Alto!»), bastava não estar de pé,  e era feita uma verificação sumária de que todos já tinham consumido os seus cartuchos.
Neste espaldão, onde as balas ficavam incrustadas, de metal, como é claro, era permitido que as pessoas as recolhessem. Muito particularmente o «trabalho» estava quase em exclusivo destinado a pessoas de etnia cigana ou eles tinham-no reservado para si e não me lembro de ter por lá visto outras pessoas.
Não sei o que eles faziam com esses bocados de metal, amarrotado, mas não me parece que o fossem vender ao quartel. Na verdade era de toda a conveniência manter o espaldão o mais limpo possível de balas, na medida em que estas, apesar de ser remota a possibilidade, podiam servir de factores de ricochete das balas disparadas em doses maciças em dias de exercício.
Pois bem, e regressando às valas dos alvos, houve uma altura em que supostamente apareceu um fantasma à meia noite e às quartas feiras, se não estou enganado quanto ao dia da semana.
O fantasma da carreira de tiro correu de boca a orelha e eram diversas as interpretações sobre o perfil do mesmo (fantasma) seguindo o princípio do «fulano disse que era assim, porque beltrano lhe disse que sicrano bem viu, etc.».
Aparentemente este fantasma era tradicionalista, segundo os relatos, e não dispensava o lençol branco, e era este o único ponto mais comum. Mas havia mistério, de facto, porque o dito ser do «outro mundo» aparecia à flor do terreno caminhando (ou sobrevoando) o espaço entre as duas paredes das valas, que segundo me lembro tinham talvez entre 2,5 e 3m de profundidade.
Os mais científicos, pensando num gozo de alguém o que até fazia falta naquela altura, haver um gozo, diziam que era alguém com andas (como essas que se usam nos circos) que lhe alongavam as pernas e permitiam assim que ele parecesse cerca de 3 metros mais alto, tendo por ideia que ele andava dentro das fossas ou valas.
Essa ideia tinha base mas colidia com o acidentado do fundo das valas. Qualquer pesssoa que se aventurasse a utilizar uma coisa dessas, ainda por cima com aquele tamanho, arriscava-se a dar um trambolhão ao tropeçar nas inúmeras pedras que o fundo das valas tinham, e presumivelmente a ver encarecer a sua brincadeira talvez com uma real passagem para o «outro mundo» mesmo.
A coisa tornou-se pública em Faro, sobretudo entre a malta jovem e foram cativados para a causa também alguns mais seniors, pelo que uma noite juntaram-se cerca de cinquenta a cem pessoas para «ir ver o fantasma».
Não estava previsto qualquer acto de violência contra a seguramente atormentada alma (colocava-se a hipótese de ser um soldado ali falecido por acidente) e bem esperámos mas nada.
O pessoal bem gritava «ò fantasma está na hora!!ò fantasma está na hora!!» assim que bateu a meia noite, mas nada.
Foi uma verdadeira frustração e era uma das primeiras oportunidades da minha vida para ver um fantasma, ao «vivo» e depois disso nunca vi nenhum.
Debandada geral. A partir daí nunca mais se ouviu falar no «fantasma da carreira de tiro» e os outros que foram sendo citados como frequentadores de outros pontos da cidade não tinham aquela carga emocional que aquele teve.
Tenho saudades dele...e lá para onde ele se tenha deslocado desejo-lhe as maiores felicidades embora tenha ficado muito ressentido. 
    
 Nota: A foto foi «repescada» no Blogue A Defesa de Faro.