quinta-feira, 1 de abril de 2010

Poesia - Por Abilio Pacheco - Elegia da Noite - FIM DE SEMANA - HABITAT - Memórias de Março

Poesia - Por Abilio Pacheco - Elegia da Noite - FIM DE SEMANA - HABITAT - Memórias de Março -

Elegia da Noite

Entre penumbras e sombras
sobras e restos de cores
de luzes ausentes...

FIM DE SEMANA

Na retina de olhos tontos
amigos sorrisos reunidos
galinha assada no forno
churrasco peixe na grelha

HABITAT

Sempre são meus os olhos que habitam esta casa:
paredes de tábuas despregadas,
ratos podres pelos cantos,
sapatos empoeirados nos tapetes,
comida estragada nos lixeiros,
caibos comidos por cupins,

Memórias de Março

Quando amanheço... leito manso e lento
Nesta manhã sob este sol silente
A cidade desperta calmamente
Ao meu olhar atônito e em tormento.
Uma canoa tangida pelo vento
Com as lembranças da última enchente
Em mim desliza e a cidade sente,
À margem, nos degraus, um leve alento.

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Resiliência - Por Tom Coelho

Resiliência - Por Tom Coelho

Quando este texto foi escrito, o conceito de resiliência era ainda inédito no mundo corporativo. Hoje é tema crucial nas organizações, objeto de estudo, tema de livros e seminários. Tornou-se competência desejada e valorizada que certamente não cairá no ostracismo.

«O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.»
(Kelly Young)

Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: amoxicilina e paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida...

POESIA DE MARIO MATTA E SILVA - Reprodução - Ai Doce Encanto - Ocaso 

POESIA DE MARIO MATTA E SILVA - Reprodução - Ai Doce Encanto - Ocaso

Reprodução

Sei que contribuí
Para a evolução
E que construí
Um mundo são
Ao qual não sou indiferente.

Ando tentando descobrir
O que na terra vou deixar
E dou por mim a sentir
Na descendência um doce palpitar
Numa forma de felicidade coerente.

Ai Doce Encanto

AI VOZES MANSAS
destes segredos
num sem esperanças
ferozes medos.

AI FLORES BRAVAS
Que eu colhi
No fogo há lavas
Vindas de ti.

Ocaso

Desce a penumbra
Espalham-se as sombras
E o sol afunda-se no horizonte
E densa a névoa
Que nos envolve
Enquanto palpita de assombro a fronte.

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POESIA DE SANDRA FAYAD - Cidadã - COADJUVANTE

POESIA DE SANDRA FAYAD - Cidadã - COADJUVANTE

Cidadã

Tenho RG, CPF, Título de Eleitor,
Plano de Saúde, Vínculo Empregatício.
Estou no sistema.
Sou cidadã!

Namorei, noivei, casei,
Mas bom mesmo é ter um grande amor
(Impossível...).
Fumei para estar na moda. Virou vício,
Que eliminei para estar na moda.
De cigarro tomei pavor.
Fui fumacê apaixonada!
Cidadã!


COADJUVANTE

As vezes o momento revela-se inadequado
Coincidindo com o local não apropriado,
Mas a oportunidade parece ser única
De dar leveza ao peso de cimento armado.

Quebram-se moléculas da dor, com certeza;
Cortam-se laços, elos e nós da tristeza,
Ao voltar os olhos na direção preferencial
E, sem permissão, reverenciar a natureza.

De que me serve ser erguida ao trono real,
Alimentar meu ego, posar de mulher sensual,
Se sou apenas (e nada mais) uma coadjuvante
Na festa da mãe - terra, onde ela é atriz principal?

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POESIAS de PEQUENINA - A Cegueira dos Ciúmes - Cheira à saudade  

POESIAS de PEQUENINA - A Cegueira dos Ciúmes - Cheira à saudade


A Cegueira dos Ciúmes

Na gruta da boca da noite
Num convento mau - assombrado
Nos sinos, ao pé do telhado
Ouve-se uma Coruja á piar…
Dizem ser uma princesa enfeitiçada
Que ali fora enclausurada
Por uma velha bruxa malvada
Ao pino da meia-noite ela visita o cativeiro
Vestida na pele de um cordeiro
Conduzida pelo nevoeiro…
Falam que traz nos queixumes
A cegueira dos seus ciúmes

Cheira à saudade

Ah, esta brisa do mar...
Esta chuva que cai sem cessar
Me cheira á saudade…
As folhas gotejam
Humedecendo a terra
Formando crateras
Germinando sementes.
Que viçosas se projetam
Atraídas pelas lágrimas do céu
Suaves gotas de mel.
Hoje me sinto tentada
Em tomar um novo rumo
Mergulhar num imenso oceano
Beber da uva; o sumo…

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Brigitte Bardot - Por Emerson Wiskow 

Brigitte Bardot - Por Emerson Wiskow

Brigitte Bardot. Era isso. Brigitte Bardot. Quando jovem. Sim, quando jovem. Eu sabia. Aposto que ali ninguém sabia, ninguém havia pensado nisso. Todos os homens olharam, todos os caras viraram o pescoço. Era linda. Linda como uma francesa. Uma francesa com biquinho. Sim, ela fazia biquinho quando falava. Eu vi. Vi. Ela pediu um xis salada. Um xis salada completo; com carne, alface, ervilhas, milho, maionese e ovo. O cara da lanchonete chegou para fazer o pedido.

- Um Xis Salada - ela disse. Com biquinho, ela fez biquinho, parecia uma francesa, parecia Brigitte Bardot. Linda. Linda.
- Completo?
- Sim, completo. Com ovo.
Com ovo, ela disse. Com ovo, disse ela com biquinho.
Fez um lindo biquinho ao dizer a palavra. Uma palavra nunca se tornara tão bonita para mim.
Os caras disfarçavam e olhavam. Eu também. Parecia uma visão, parecia não existir. Aposto que eles não sabiam.

Ninguém sabia, apenas eu. Eu sabia, ela parecia a Brigitte Bardot. A cara, o focinho. O corpo.

Ah, o corpo. Brilhava, parecia brilhar. Brilhar não. Iluminar, ela iluminava, era iluminada.
Parecia uma visão. Parecia não existir. Beleza. Aquilo era beleza. Aquilo era A beleza. Atraía. Atraía os corpos ao seu redor. Atraía meu corpo. E fazia biquinho.

Pediu uma Coca, com biquinho. Não tinha. Uma Pepsi. Vai de Pepsi. Fez bolinha. Era o gás. Eu sabia. As bolinhas subiram, ela bebeu. Os lábios, os lábio molhados, as bolinhas.

Dei uma dentada. Brigitte Bardot. Dentadas. Mordi meu xis. Xis Galinha. Ela gosta de bichinhos. O meu era sem maionese. Mordidas. Dei outra. Queria ela. Queria poder mordê-la.
- Salta um Xis Salada completo. Berrou o cara.

Pastoral da Criança: a Solidariedade combatendo a desnutrição Infantil - Por Cristina Ubaldo

Pastoral da Criança: a Solidariedade combatendo a desnutrição Infantil - Por Cristina Ubaldo

A semente plantada por Zilda Arns com a Pastoral da Criança germinou, multiplicou e seus frutos se espalharam pelo mundo afora chegando a nossa querida Taquaritinga, cidade marcada pela desigualdade social e suas comunidades carentes entre elas o Bairro Maria Luiza ao qual me refiro neste artigo.

Em maio de 2008 um pequeno grupo de voluntários preocupados com a pobreza da comunidade e com um número considerável de crianças com peso abaixo do ideal, se reuniram e deram inicio ao trabalho da Pastoral da Criança naquela comunidade. No começo eram apenas sete famílias cadastradas com três gestantes e nove crianças, mas com o empenho e dedicação dos voluntários, outras famílias foram visitadas e o número de cadastros não parou mais de crescer juntamente com o resultado positivo do trabalho.

Os dados do ultimo encontro do dia 27/03/2010, também chamado de Celebração da Vida, apontaram 68 famílias cadastradas com 85 crianças assistidas entre as quais estão as gêmeas com necessidades especiais, uma com síndrome de down e a outra com paralisia cerebral e o pequeno recém nascido que faz uso de bolsa de colostomia.