sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia dos Pais no Brasil - 8 de Agosto - Por Arlete Piedade

Dia dos Pais no Brasil - 8 de Agosto - Por Arlete Piedade

A primeira referência conhecida, sobre o Dia dos Pais, tem origem na antiga Babilónia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.

Nos tempos modernos a comemoração do Dia do Pai, foi retomada nos Estados Unidos da América, no ano de 1909, e na cidade de Spokane no estado de Washington, onde vivia Sonora Louise.

Na Igreja que frequentava, ao ouvir um sermão elogiando as mães, pensou que o seu pai também era merecedor de um elogio, já que devido á morte de sua esposa de parto do sexto filho do casal, criou sozinho o filho recém-nascido, bem como os seus outros cinco filhos.

Teve assim a ideia de celebrar o Dia dos Pais devido á gratidão e admiração que sentia por seu pai. Para tal enviou uma petição á Associação Ministerial da cidade e o primeiro Dia dos Pais, foi comemorado no ano de 1910 em 19 de Junho, dia do aniversário do pai de Sonora, um veterano da Guerra Civil, chamado John Bruce Dodd.

Como símbolo do evento foi escolhida a rosa vermelha para os pais vivos e a branca para os já falecidos.

A partir daí foi-se espalhando a comemoração pelos outros estados até que em 1966 o presidente Johnson proclamou oficialmente o terceiro domingo de Junho, como o Dia dos Pais, sendo também comemorado em Junho, em vários outros países, como o Canadá, Argentina, Grécia, Peru e Inglaterra.

No Brasil o Dia dos Pais, é comemorado no segundo domingo de Agosto ou seja este ano a comemoração acontece hoje dia 8 de Agosto, no dia anterior ao que o nosso jornal terá online a sua 81ª edição.

Leia este tema completo a partir de 09/08/2010

O almoço - Por Manuel Fragata de Morais - Este conto faz parte do seu livro «INKUNA MINHA TERRA».

O almoço - Por Manuel Fragata de Morais - Este conto faz parte do seu livro «INKUNA MINHA TERRA».

Fora jurado amor à primeira vista. Ninguém duvidava, ao ouvir Malaquias «Gordo» contar, com paixão, a estória do seu matrimónio, que engorda há quinze anos. Conhecera a então futura esposa num dos programas matinais de culinária, que a T.V.I. (televisão de Inkuna) quinzenalmente apresentava naqueles anos idos.

A fama de bom garfo, aliada ao facto de ser dono do mais famoso restaurante de luxo de Katola, levara a que o convidassem a presidir ao júri do concurso. Aos concorrentes era atribuído um valioso prémio, com base na receita mais original, no prato melhor confeccionado perante as inquiridoras câmaras televisivas, e nas parcas chamadas telefónicas recebidas no programa, sobretudo de aborrecidas donas de casa querendo dar palpites gastronómicos.

Embasbacado, mesmerizado nos jeitos e trejeitos culinários das mãos da fada Serafina Coquillage (assim se inscrevera), entrou em acelerada órbita amorosa quando ela, sem o querer, acariciou castamente o corpo engordurado do coelho.

Ao esquartejá-lo, cada golpe de retalho, era uma insinuante flechada de Cupido no já esfrangalhado coração de Malaquias que, boquiaberto, inalava os suados respirares da amada.
Quando Serafina começou a temperar o bicho com sal, pimenta, vinho branco (um copo), alhos e louro (uma folha), Malaquias havia tomado a decisão mais intempestiva e séria de sua vida.

Se a senhora fosse solteira, ou desimpedida, nada, mas absolutamente nada, se interporia no caminho de sua felicidade. Chamaria a si a grata tarefa de desencalhar aquela frágil nave das rochas do desamor e da solidão para, incólumes, navegarem os mares doces da vida compartilhada entre caçarolas, almoços, amores e jantares.

O continuado carinho demonstrado por Serafina, ao segurar o tacho que levou a lume com o azeite (cinco ou seis colheres de sopa), a cebola picada, o ramo de salsa e um pouquinho de água, para refogar o inditoso lapin, confirmou a justeza das suas pretensões.

Mulher assim não era para andar à solta, a desperdiçar tempo e talento em programas de televisão, ainda por cima para gente que nem apreciava ou entendia a arte e o amor envolvidos. Era um atirar de pérolas aos porcos...

Leia este conto completo a partir de 09/08/2010

José Varzeano - Velhos usos de Alcoutim

José Varzeano - Velhos usos de Alcoutim

Pequena nota: Este é o primeiro artigo que conhecemos, publicado pelo nosso saudoso Amigo no Jornal do Algarve. Acabámos por transcrevê-lo a pp 261 a 263 do nosso trabalho, «Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, Subsídios para uma monografia» Ed. CMA, 1985 pelos motivos que lá indicamos. Temos a possibilidade hoje de enriquecer o texto com duas fotografias de dois casamentos, um realizado em 18 de Outubro de 1936, já se passaram 73 anos e o outro a que assistimos em 12 de Maio de 1968.

O primeiro referido é de D. Berta Cunha Martins, irmã de Luís Cunha, com o Sr. Leopoldo Vicente Martins há muito falecidos e o segundo dos nossos Amigos, Maria Catarina Xavier e de Francisco Coelho que felizmente estão entre nós e são todos alcoutenejos. Presto assim uma pequena homenagem aos dois casais.JV

Escreve:Luís Cunha (PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 3 DE FEVEREIRO DE 1973)
Desapareceu há anos uma interessante praxe a que obedeciam os casamentos camponeses de Alcoutim. Com vista a assistir a todos os ritos de um que se realizava a rigor nos primeiros anos da década de vinte, para o qual éramos convidado do noivo, fomos para o monte das Cortes das Pereiras na véspera à tarde. Os convidados dele e dela, formavam em separado, como se fora luta entre bandos: quem sabe se disso não haveria reminiscência?

Ao cair da noite, o grupo de que fazíamos parte reuniu numa taberna e o outro, noutra. A lareira uns cavaqueavam relembrando peripécias passadas; ao lado disputava-se o cálice de aguardente em renhida partida de «truco» (jogo de cartas, segundo parece de paternidade algarvia mas que a juventude desconhece), e já alegrotes, alguns entravam a versalhar.

Assim se fez a fria noitada, até ao alvorecer. Pouco antes do romper do sol o grupo abalou, pé ante pé, no mais completo silêncio como quem vai a assalto ou a pilhar galinhas. Do outro grupo, nem rastos. No mesmo silêncio chegámos a casa da noiva onde um homem se destacou, batendo ao de leve sem resposta; insistiu com um pouco mais de força mas o resultado foi o mesmo, e por fim, quase violentando a porta e praguejando que aquilo mais parecia cemitério, excitou uma voz de dentro que, indignada, acusava o desacato a tais horas e inquiria o que se pretendia.

Leia este tema completo a partir de 09/08/2010

domingo, 1 de agosto de 2010

COLUNA UM - Daniel Teixeira - TEMPO

COLUNA UM - Daniel Teixeira - TEMPO

Sendo o nosso maior problema a falta de tempo temos em carteira toda uma série de promessas e obrigações a cumprir que dificilmente se coadunam em termos de raciocínio e lógica com uma necessidade imperiosa (e imperativa) de ir sempre seguindo o ritmo do nosso próprio crescimento natural que leva como consequência ao consumo de mais tempo.

Acreditamos contudo que temos ainda bastante margem a explorar em termos de eficácia organizativa obtendo assim uma consequente redução do tempo que actualmente consumimos e que desta forma conseguiremos progressivamente reduzir cada vez mais o diferencial entre o tempo imediatamente necessário e o tempo globalmente disponível.

Um trabalho, a gerência dos tempos, cujos frutos vão aparecendo quase de forma espontânea (e talvez de forma relativamente imperceptível para quem não esteja atento) mas por experiência prática sabemos que vamos conseguindo meter cada vez mais coisas feitas dentro do mesmo período de tempo, ainda que não tenhamos neste plano atingido um ponto que possa ser considerado próximo do necessário e disso tenhamos plena consciência.

Este «discurso» sobre o tempo serve para referir também que trabalhando o jornal (e agora a rádio) com colaboradores com diversos graus de habituação aos sistemas informáticos e às necessidades de ajustamento que uma publicação (e emissão) exigem, se vive também num campo onde o nosso trabalho e a nossa poupança ou redução de tempo consumido pode ser influenciada por esses factores externos / internos e por essa diferenciação de conhecimentos informáticos (e é!) .

Mas este é o mundo onde escolhemos trabalhar e cabe-nos a nós de um lado dar resposta às solicitações que esse diferencial de conhecimentos e multiplicidade de abordagens proporciona ao mesmo tempo que nos cabe também a nós receber e fornecer alguma informação sobre a melhor forma de conjugar estes dois planos de abordagem (o individualmente escrito e o editado).

Assim, sendo este jornal (e esta rádio) um trabalho realizado por amadores / profissionalizados, existe toda uma margem de experimentação que vai sendo utilizada dia a dia de forma a conseguir-se a resposta mais próxima possível da correcta para as exigências do dia a dia e para as necessidades de programação futura.

A rádio vai consumir-nos mais tempo, é um facto, e em face daquilo que foi sendo dito acima interessaria saber até que ponto a rádio representa um passo no crescimento natural da nossa actividade de publicação jornalística, cultural e social.

Leia esta coluna completa a partir de 02/08/2010

Crónicas «Ver e Sentir» - Por Cristina Maia Caetano - (LIII)

Crónicas «Ver e Sentir» - Por Cristina Maia Caetano - (LIII)

Uma sala pequena, pouco iluminada! A invadi-la, música ambiente e um cheiro aromatizado de incenso!
Parecia um mágico cenário, onde tudo parecia rodopiar dentro e fora de mim! Descalça, mais três mulheres acompanhavam-me numa frenética dança! Tímida de início, observava comportamentos e modos de dançar. Sentado junto à aparelhagem de som, o professor dava instruções, incentivos e conselhos.

Rapidamente, fui apercebendo que o principal era descontrair-me e sentir todo o meu corpo. Deixar a música penetrar-me suavemente e apenas guiar-me pelos sentidos. Rapidamente, também percebi que com os olhos cerrados, a vibração era mais intensa, o sentir mais profundo e a dança parecia girar por si só, como se fosse ela própria a comandar o meu corpo.

«Estás bem? Como te sentes? O que esta dança realmente significa para ti?», pronunciava o mestre entre trocas de música. Atentamente, percebia que estávamos a ser estimuladas na nossa criatividade e, na expansão do ritmar do nosso corpo.

Frequentemente, o professor depois deste «fraseado ritualista» iniciava o comando de nova música. Todo ele mexia! Todo ele vibrava! Movimentos firmes de pés, pernas e mãos, acompanhavam estridentes gritos que ia dando como se de um ritual indígena se tratasse!

De facto, era exactamente isso que eu ia sentindo, tal como se estivesse a ser transportada através do tempo, do espaço e do lugar! Subitamente, parecia que as paredes da sala se transformavam em frondosas árvores, a madeira do chão em folhas macias que na floresta cobrem o arenoso solo.

Leia esta cronica completa a partir de 02/08/2010

Vou-me embora para uma qualquer Pasárgada - Por Afonso Santana

Vou-me embora para uma qualquer Pasárgada - Por Afonso Santana

Na continuação do texto glosando o poema de Manuel Bandeira «Vou-me embora para Pasárgada» (ver número anterior e anteriores e este seguindo a sucessão) vou repetir que o titulo base do meu trabalho é «Vou -me embora».

Mas ir embora é mesmo ir embora? Quer dizer, não serão antes e apenas palavras que se lançam, um desabafo, um desejo, uma fantasia? No fundo ir embora é sempre não ficar num dado lado mas ir para um outro.

Sobre o ir embora para Pasárgada, de Manuel (ou Manoel) Bandeira foram glosados, textos, poemas, canções, enfim...uma variedade e quantidade de trechos de praticamente todos os estilos que fizeram do poeminha (grande no tamanho) um verdadeiro caso de sucesso, inesperado, segundo o autor.

Claro também que muitos dos textos que aqui tenho trazido não são necessariamente glosas directas e em rigor também se pode dizer que muitos dos textos (ou poemas) não têm uma ligação imediata à ideia de Manuel Bandeira e que alguns dos autores não terão sequer ouvido falar do Poema de Pasárgada ou mesmo de Manuel Bandeira.

Este poema que se segue, da autoria de um multifacetado poeta e cantor, que chegou a concorrer ao Festival da RTP para selecção à Eurovisão, não será um desses casos marginais referidos logo acima.

Leia este tema completo a partir de 02/08/2010

Goiânia: o «Dia do Cerrado» e o lugar da vegetação do cerrado, na cidade. - Por Se Gyn

Goiânia: o «Dia do Cerrado» e o lugar da vegetação do cerrado, na cidade. - Por Se Gyn

Na data de 11 de setembro, se comemora o «Dia do Cerrado». Sinceramente, no meu do extenso calendário de datas comemorativas, não sabia no ano passado que alguém tinha se lembrado de criar um dia para celebrar a ainda existente savana brasileira, predominante nos estados do centro - oeste e Tocantins, além de se estender a outros estados brasileiros.

E, minha admiração, se dá em virtude do fato de que, a partir dos anos 70, as terras altas do cerrado brasileiro foram declaradas a nova fronteira agrícola brasileira e, desde então, o desprezado biona das matas de árvores tímidas e recurvadas sofreu um deliberado e intenso ataque, em nome do desenvolvimento e, da produção agropecuária.

Pra se ter uma idéia, no início da década de 70, o governo estadual foi ao ponto de adquirir cerca de 500 tratores de esteira, para botar o cerrado abaixo e, abrir caminho para a agricultura - lavoura de arroz de sequeiro, feijão e milho, além de pastagem para o resistente gado nelore, pelo interior afora.

Quando menino, foi passatempo da minha turma, ver o incrível movimento das máquinas pesadas do famoso programa «Goiás rural» e, ver aquela fila enorme dos temíveis tratores de esteira chegarem à cidade, debaixo de foguetório.

Impossível não relacionar o progresso do Estado de Goiás com a abertura desta fronteira agrícola - mas, os efeitos ambientais não podem ser reputados menos do que devastadores, pois, atualmente, restam apenas 14% da cobertura vegetal primitiva, no território goiano.

Passando pela Praça Universitária pela manhã, notei a grande estrutura montada para as comemorações, para a qual um locutor anunciava a presença do polêmico e vazio Ministro do Meio Ambiente, Celso Minc*.

Pensando no assunto, me dei conta de que, na capital de Goiás, o bioma do cerrado não tem vez.

Para tal conclusão, um passeio por Goiânia, basta.

Leia este tema completo a partir de 02/08/2010