domingo, 22 de agosto de 2010

A VERDADE - Por Manuel Fragata de Morais - Esta crónica faz parte do livro «MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS».

A VERDADE - Por Manuel Fragata de Morais - Esta crónica faz parte do livro «MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS».

Uma vez ouvi um homem famoso afirmar na televisão, que entre Deus e a Verdade, ele escolheria Deus.
Fosse qual fosse a verdade que tivesse que se tornar mentira, deduzi.

Sem desejar revelar ironia ou pessimismo, acho ser essa a regra do jogo, sendo os maiores mentirosos aqueles que se escudam atrás de Deus ou atrás da Pátria. Cedo aprenderam que, emocionalmente, ambos estão sempre lá para os proteger.

Escolhendo Deus sobre a Verdade, tornam-se mais fácil os desígnios pessoais ou colectivos, queima-se, para exemplo e sem qualquer compunção, uma Kimpa Vita, uma Joana d’Arc, o Mundo deixa de ser redondo e passa a ser plano, o Sol gira à volta da Terra e por aí fora, sempre com a certeza de que as nossas consciências estarão limpas, não obstante os nossos actos.

Deus vira uma abstracção, um conceito relativado segundo a conveniência, e a Verdade vira a palavra maleável, a plasticina com a qual moldamos as nossas intenções últimas e às vezes macabras, como nos provam todos os Hitleres, os Bokassis, os Pinochet os Pol Pots da História da humanidade, sem falar na Santa Inquisição.

E verdade que o Homem, monoteísta ou não, invariavelmente escolheu deuses que se parecessem consigo e com a sua interacção com a Natureza, englobado tudo o que ela tem de telúrico. Deuses ferozes, vingativos e sem contemplação, que se manifestavam através do trovão, da espada justiceira e, portanto, revestidos, pela mão do Homem, de uma moralidade imperdoável, para apaziguamento de uma ira divina que nada poderia justificar.

Leia este tema completo a partir de 23/08/2010

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