quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CORONEL FABRICIANO 048 – Um centavo; 049 - Que ojos! ; 018 – Apelido II - Severino; 069 - Paralisia facial;-  BENEDITO FRANCO

CORONEL FABRICIANO 048 – Um centavo; 049 - Que ojos! ; 018 – Apelido II - Severino; 069 - Paralisia facial;- BENEDITO FRANCO


Um levantamento de uma Universidade do Rio de Janeiro indica que cem por cento (100%) das obras de arte no Brasil estão praticamente abandonadas ou com alguma deficiência. Como frequentemente visito o nosso barroco, infelizmente acredito piamente na pesquisa.


048 – Um centavo

Morava em Copacabana e trabalhava no escritório das Lojas Brasileiras, no centro da cidade. Na época de Natal, aproveitavam funcionários do escritório para ajudar nas lojas. Fui convidado para a loja a um quarteirão de minha residência. Aceitei, pois as vantagens eram enormes: almoçava e jantava na loja, muita hora extra e um abono generoso.

Quando recebi o salário, para mim uma bolada, passei em uma farmácia e comprei um sabonete – dei à caixa uma nota de cinco cruzeiros. No caminho para casa, percebi que a moça do caixa me voltara o troco como fosse de uma nota de dez - cinco cruzeiros a mais. Andava num sufoco e falta de dinheiro.

049 - Que ojos!

O professor de espanhol, mexicano, em um colégio onde estudei, admirava, e muito, a cantora Maysa Matarazzo; em todas as aulas não se cansava de repetir: «Que ojos! Ojos de Maysa!! Que ojos!»

Neste mesmo colégio, no Rio de Janeiro, o professor de português era o regente do Coro do Orfeão Português. Convidou-me a fazer parte dos cantores.

018 – Apelido II - Severino

Numa fábrica de pneus, em Queimados, RJ, onde eu trabalhava, havia um cabeça chata, o simpático e alegre Severino, apelido e não nome, conhecido e querido por toda a fábrica - um humilde faxineiro da Seção das Caldeiras... falava como pobre na chuva!

O pagamento dos salários feito em espécie - cada um recebia, na seção onde trabalhava, assinava o recibo e ficava com o envelope com o dinheiro - era só contar as notas e as pratinhas...

Severino, passando pelo pagador Waldyr, foi chamado para receber o salário - nem em sua seção estava - sabia ler pouco, recebeu o envelope, assinou, colocou o envelope com o dinheiro no bolso e foi para o trabalho e, como sempre, nem mesmo em conferir o que recebera preocupou-se – preocupava-se mais em falar com um ou com outro, jogando um gracejo ou uma piadinha para todos em seu redor.

069 - Paralisia facial

Coronel Fabriciano, MG, é terra quente - fria, um pouco no inverno, nada mais que temperaturas normais no verão de Conselheiro Lafaiete.

No final de um mês de maio, tomava banho bem quente - descontando o frio que passei em Congonhas, onde, além do frio intenso, só se tomava banho frio - eu, fabricianense e menino na puberdade, sofria muito com isso.

Papai resolveu trocar as janelas da casa, de tábuas brutas, por janelas com persianas. O Senhor Joaquim Tobias e os filhos, família unida e de alto conceito, ótimos carpinteiros e marceneiros, fabricaram e assentaram-nas.

Na tarde fria e com ventos fora do normal, tomava banho quentíssimo, apesar dos apelos da mamãe para eu sair logo:

- Benedito Celso, saia logo desse banho... a Cemig tá muito cara! Pode fazer mal!

Leia este tema completo a partir de 20/09/2010

1 comentário:

  1. Sensacional, esta crônica. Parabéns. E essa aí, deixa bem claro que, no clã dos Severinos, sempre ouveram os bons e os ruins - como em todos os outros clãs, rs!

    Abraço do Se-Gyn.

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