domingo, 3 de outubro de 2010

A COLUNA DE JORGE M. PINTO - CASOS AO ACASO - Parte V - DIVERSOS

A COLUNA DE JORGE M. PINTO - CASOS AO ACASO - Parte V - DIVERSOS - MEU COMPADRE MUSSORONGO - Minha saudosa irmã negra - (V I - MAIS DIVERSIFICADOS AINDA.....) - Evoluções do Português

MEU COMPADRE MUSSORONGO

Um auxiliar eu tive, (1959/1973) de nome ALFREDO TITI. de quem posteriormente e com muito gosto vim a ser compadre, pois lhe apadrinhei dois dos cinco filhos que lhe conheci .
Era muito gago e serviu comigo – desde ainda garoto e naturalmente solteiro - na povoação denominada Pedra do Feitiço.

Tendo eu sido transferido dessa para outra localidade (São Salvador do Congo, hoje M’BANZA CONGO), com saudade, lhe deixei o meu novo endereço, e coloquei-me ao seu dispor para o que viesse a necessitar.

Meses depois, estando a trabalhar no meu gabinete que tinha janela para a rua, ouço do lado de fora uma voz bem conhecida que me diz:
- BBBBBBom dia paaaaaatrãããããoooo !
- O que estás aqui a fazer? Como vieste aqui parar ?
Com um papel na mão, me anuncia ele na sua imensa gaguez:
- Apaaaaanhei o avviiiiiiiião, e aquiiiiiiiiiiii essssssstou. Tens aaaaaqui o bbiiiiilheete da passsssaaaaagem paaara pagar.
- Olha que estou a pensar ir para Timor !
- E onde éééééé isssssso?

Minha saudosa irmã negra

CATARINA MIGUEL, era (ou é?) o seu nome !
Teria os meus nove / dez anitos, (1941) quando ela rondaria já os 13 /15.
Oriunda de família do centro de Angola (CACONDA), foi praticamente criada no seio da nossa como irmã mais velha, tendo-se mantido conosco até depois do casamento de todos e de filhos nascidos a cada um.
Em 1959, ter-se-há casado por sua vez, e seguido o seu destino, jamais tendo dado notícias.
Pelos meios disponíveis, tentei por diversíssimas ocasiões saber dela, e dos seus, mas nunca consegui. nem o mais leve sinal de que existiria ainda.
Entre nós havia uma relação de amizade tão grande como se na verdade irmãos de sangue fossemos.
Cabe-me a grata recordação de ter sido o seu professor pois foi comigo que aprendeu as primeiras letras até chegar a ler correcta e correntemente. Já no que respeita a números, só a lê-los foi preciso ensinar. Era exímia em fazer contas mentalmente, dando no instante, dobros, triplos, quádruplos, metades, terços ou quartos de quantos números (grandes e pequenos) lhe fossem propostos.

V I - MAIS DIVERSIFICADOS AINDA..... - Evoluções do Português

Já no fim da presença portuguesa (uns três, quarto anos antes da Independência) em Angola estavam a surgir novos vocábulos no português que por lá se falava.
Inspirados quiça na própria praticidade os africanos de origem banto, umbunda, ambunda e/ou quimbunda logo costumam crismar as coisas e situações atribuindo-lhes designações práticas e quase sempre abreviadas.
Foi possível notar o surgimento de neologismos curiosíssimos, de que me lembro:
- FILIZAR. Verbo que outra coisa não significa senão o acto ou efeito de tornar lisos os fios dos cabelos (carapinha) de frizados que eram ! FILIZAR, teria tido origem em FIO, em FRIZAR ou numa mistura de ambos ?
. O neo-verbo naturalmente conjungado em todos os tempos como qualquer outro da 1ª conjugação, entrou no linguajar quotidiano: - Você já filizou ? Vai filizar ? Jà filizei.... etc.

Leia este tema completo a partir de 04/10/2010

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